Pensamentos sobre "O 13º Guerreiro"

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Mensagem por Thear em Qua 10 Jul 2019, 05:24

Correndo atrás do atraso. Eu recentemente assisti para o Desafio de 10 Anos o filme O 13º Guerreiro, que eu deveria ter visto e escrito a respeito em maio. O filme me foi recomendado pelo Zé Joelho.

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Esse filme foi lançado em 1999, dirigido John McTiernan e (não creditado) Michael Crichton. Escrito por William Wisher e Warren Lewis adaptado do livro "Devoradores de Mortos", do já mencionado Michael Crichton.

O filme é sobre Ahmad ibn Fadlan, um árabe muçulmano que serviu de embaixador entre os nórdicos na Volga Bulgária para oCalifado Abássida no século 10. Uma pessoa real, mas claro que totalmente modificada pelo filme. No filme (e no livro), o personagem viaja alem de seu destino real, indo ate os reinos de origem dos nórdicos servindo a função de 13º Guerreiro mencionada em uma profecia sobre como derrotar "um antigo mal".

Então o filme foca bastante no protagonista aprendendo o idioma dos nórdicos, e nos pequenos conflitos gerados pela diferença entre as suas culturas. É claro que o filme chama atenção para o quão rudimentares são os hábitos de vida dos nórdicos em relação ao forasteiro arrumadinho.

E é aí que o filme chama atenção. Sendo de 1999, ainda era possível nos Estados Unidos ser produzido um filme no qual um árabe era o protagonista, super civilizado e mais intelectual, no meio dos bem menos avançados europeus brancos e loiros (nórdicos). Mas mesmo os nórdicos não chegam a ser retratados como bárbaros selvagens como é de praxe na mídia moderna.

É muito curioso ver uma grande produção hollywoodiana tratar de cultura e civilização desse forma. Eu nem estou dizendo que eles fazem isso bem... Afinal, o "mal antigo", enfrentado pelo Ahmad e os nórdicos é uma tribo de bárbaros selvagens neandertais genéricos, essencialmente homens-das-cavernas sem nenhum tipo de valor ou "civilidade". Então o filme definitivamente não faz um bom trabalho de quebrar estereótipos modernos sobre culturas históricas. Mas pelo menos ele chama atenção a esses elementos, o que essencialmente nenhum blockbuster de temática histórica fez desde então, se não me engano.

A produção do filme foi um desastre, cheio de refilmagens e ajustes, e foi um grande fracasso de bilheteria também. Não vou dizer que não mereceu. O filme definitivamente não é bom. Ele apenas vai em direções que não costumamos esperar de blockbusters, especialmente desde 11 de setembro.

Mas o filme não é um desastre também, e é útil como lembrete do quão mal explorada é a história da humanidade no cinema hollywoodiano. Quantos filmes americanos  históricos vocês conseguem lembrar que se passam antes do século 20 e não são sobre historia americana, realeza britânica, idade média britânica, roma antiga ou Grécia antiga?

Tanta coisa interessantíssima aconteceu na história. Não é decepcionante estarmos tão presos ao viés extremamente limitado de Hollywood sobre o que digno de filme na história?

Cade a biografia da rainha pirata Ching Shih? A biografia de Julie d'Aubigny? Ciro o Grande? Um romance entre viajantes na comitiva de Mansa Musa? Essas são só as primeiras coisas que me vieram a mente. Imagina quantas opções tem em pequenos momentos da historia humana aqui e ali?

Hollywood é tão entediante, não? Esse filme faz o grande favor de chamar atenção a isso. Recomendo pra quem quiser ver um blockbuster meio velho e meio inusitado, mas não esperem nada de alta qualidade.

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